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10 de Maio de 2021

O impacto das Fake News na vida em sociedade.

Como surgem e qual o reflexo das falsas notícias no cotidiano.

Luis Filipe Bussular, Advogado
Publicado por Luis Filipe Bussular
há 3 anos

A propagação de forma rápida e intensa das fake news[1] através das mais diversas redes sociais constituem um fenômeno dos dias atuais, que o Brasil e diversos outros países vem buscando criminalizar.

Até pouco tempo, as estratégias utilizadas no combate as notícias falsas ocorriam por meio de notas de esclarecimento, desmentidos, retratações e etc. Tais métodos sempre se mostraram pouco eficazes, dada a velocidade com as quais as fake News se espalham na rede mundial de computadores.

Na atualidade, a principal ferramenta de defesa do indivíduo/empresa/instituição etc., lesados pelas falsas notícias está sendo o Poder Judiciário, na busca pela reparação aos eventuais danos causados, sejam eles patrimoniais ou extrapatrimoniais bem como pela identificação dos responsáveis pelo dano.

As notícias falsas são pensadas e estruturadas para atingir alguns objetivos específicos: levar o leitor ao erro, fomentar boatos, deturpar uma informação verdadeira, atingir a honra de alvos públicos e a manipulação da massa visando alcançar determinados resultados.

Mensurar os danos causados à Instituições por essas notícias ainda é uma tarefa difícil[2], onde se faz necessária uma detida análise do caso específico. Contudo, inegável o fato de que essa prática começa a fragilizar muitos valores da nossa sociedade, inclusive chegando ao ponto de colocar o próprio cidadão contra a Constituição Federal e o Estado Democrático de Direito.

É alarmante o poder destrutivo das fake News! É de conhecimento mundial o escândalo envolvendo o Facebook e a Cambridge Analytica[3], no último pleito eleitoral norte-americano, onde milhares de usuários da rede social de Zuckerberg tiverem seus dados vazados para produção de conteúdo previamente elaborado com base em suas preferências pessoais.

Fato importante é que, nossos Tribunais Superiores vem se posicionando de maneira firme acerca dos crimes digitais, (exatamente, a criação e a divulgação de noticias falsas são crimes em nosso ordenamento Jurídico), principalmente no Superior Tribunal de Justiça.

Outrora, o jornalismo conseguiu aumentar sua tiragem com a edição de notícias sensacionalistas, que não chegavam a ser falsas, mas ganhavam “cores exageradas”, que distorciam a objetividade dos fatos. Hoje temos como divulgadores das notícias falsas o acesso democratizado às redes sociais, a descentralização na produção de conteúdo e o compartilhamento descompromissado, formado por uma imensidão de usuários que, muitas vezes por inocência ou ignorância acerca dos temas difundidos, não levam em conta se a fonte é fidedigna.

As fake news chegaram ao patamar atual de disseminação com a ajuda da tecnologia das plataformas sociais. O usuário médio, sem perceber é inserido numa “bolha” onde o algoritmo escolhido faz as vezes de editor sobre quais publicações os usuários chegarão primeiro ao feed de usuário.

Dessa forma, se um usuário demonstra seu interesse (curtidas, compartilhamentos, comentários) sobre um determinado tema, ele será gradativamente “bombardeado” por postagens e opiniões de outros usuários que pensam de forma parecida, reduzindo assim cada vez mais seu senso crítico e inclusive o seu interesse por questionar se tal informação é verdadeira.

Essa é uma estratégia que busca aumentar a interatividade dos usuários e entregar somente assuntos que possam lhe interessar. A Inteligência Artificial é programada para agir a mediante comandos pré-estabelecidos, “viralizando” assim uma fake news.

Mas como saber se uma notícia é falsa? Geralmente às notícias falsas são redigidas com uma carga emergencial enorme, como por exemplo “compartilhe agora antes que retirem do ar”, “URGENTE”, “isso a mídia não mostra”, dentre outros superlativos que buscam aguçar a curiosidade do destinatário.[4]

E por que tendemos a acreditar nas fake News, mesmo com os indicativos descritos? Essa é uma pergunta interessante e com uma resposta bem simples. O “Efeito da Mídia Hostil”.

Uma mesma notícia pode ser vista de maneira diferentes por grupos que já tenham sua convicção formada sobre um determinado tema. Indivíduos com fortes preferências políticas estão tão convictos da supremacia de suas ideias e opiniões que enxergam uma notícia neutra como inadequada/incorreta, com intuito único e exclusivo de maquiar a realidade para atingir seus objetivos.

O fato é que o ser humano tem aceitação mais amistosa à notícias e coberturas jornalísticas que corroboram e favorecem sua opinião já formada. Ora, se em casos cientificamente comprovados como a evolução da espécie humana, promovem discussões acirradas, o que dizer de questões puramente subjetivas como posicionamento político, crenças religiosas e afins?

O campo subjetivo é o berço das fake News, onde os produtores de conteúdo, que não mais se limitam à imprensa convencional, utilizam-se desse comportamento de “melhor aceitação”, para divulgar notícias capazes de gerar engajamento, click’s, views, comentários, pois essa é a forma de sua subsistência.

Nesse ponto, temos hoje o paladino da polarização de grupos, o Facebook, que lidera o ranking mundial de redes sociais mais usadas no mundo, sendo no Brasil, sem dúvida alguma a mais difundida. O Facebook se preocupa em fornecer aos seus usuários “exatamente” o que eles procuram, através do seu algoritmo, anulando quase por completo postagens e matérias que se contrapõe às preferências do usuário.

Dessa forma, um indivíduo com pensamento político voltado para esquerda receberá em seu feed quase que exclusivamente notícias voltadas para o pensamento de esquerda, e vice versa, limando assim o senso crítico dos usuários, através da divulgação de notícias falsas.

O saldo deixado pelas fake news é a desinformação da sociedade, que acaba inserida num dilema sobre o que é falso ou verdadeiro, ajudando a minar nossa cidadania e o direito de acesso à informação e por muitas vezes colocando o cidadão contra a Constituição Federal.

Tal fato gera uma enorme insegurança, com terríveis repercussões para a vida das pessoas e instituições. É de importância vital que os Entes Públicos se manifestem de forma rígida contra a sensação de impunidade e anonimato que prevalece no mundo virtual, onde muitos usuários consideram um local onde tudo é permitido e que não pode ser atingido pelo ordenamento jurídico.


[1] http://portal.mackenzie.br/fakenews/noticias/arquivo/artigo/o-queefake-news/.

[2] http://www.valor.com.br/legislacao/5421595/empresas-buscamojudiciario-para-combater-noticias-falsas.

[3] https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/facebook-enfrentara-ação-coletiva-apos-cambridge-analytica.ghtml.

[4] http://infograficos.estadao.com.br/focas/politico-em-construção/materia/senso-criticoearma-para-combater-fake-news.

1 Comentário

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